Você já foi a um presídio? Um relato da minha primeira experiência em um presídio

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Eu já fui e nesse texto contarei a minha primeira experiência.


Vou contar pra vocês como foi a minha primeira ida a um presídio.
Eu tinha acabado de me formarjá quebrando cabeça como advogado, e me pintou o meu primeiro caso criminal (nessa época, o criminal estava restrito à paixão acadêmica e eu trabalhava mais com questões cíveis).
O filho mais novo de um conhecido tinha sido preso, acusado de subtrair um celular junto com mais um rapaz, ambos de 18 anos de idade.
Pelo que tinha ficado sabendo, os dois, em uma bicicleta, arrancaram o celular das mãos de uma estudante que estava em um ponto de ônibus, sendo presos logo em seguida.
Depois de ter sido contratado pelos pais do rapaz, o primeiro passo que teria que dar era ir falar com o preso, ouvir sua versão dos fatos, ver como estava e lhe dar as informações do processo e do que estava por vir.
Era tudo muito novo, desde a advocacia criminal à ida ao presídio.
Como a prisão do rapaz era recente, ele ainda estava preso no Centro de Triagem(que é o lugar para onde todos os presos são encaminhados logo após a prisão e onde, hoje, são realizadas as audiências de custódia).
Lá chegando, a primeira grande impressão foi o forte cheiro de umidade, de mofo mesmo. A falta de claridade, junto com a baixa circulação de ar formou um ambiente carregado de muita umidade e mofo.
Me identifiquei com o agente, o portão é destrancado (com aquele barulho da trava se abrindo), passo pelo portão e ele é trancado (barulho do portão fechando e se trancando).
Esse momento, do trancamento do portão e das trancas, foi bem marcante, ainda mais associado a toda aquela energia que o ambiente emana e, sem esquecer, é claro, do forte cheiro de mofo.
Nesse lugar, o parlatório (lugar de entrevista com o preso) é dentro da unidade prisional, entre as celas, tudo em um ambiente fechado e com baixíssima claridade.
Após passar pelo portão, você segue por um corredor, passando pelo meio dos pátio. Nesse momento, um grupo de presos havia acabado de dar entrada na unidade e estavam passando pelo procedimento de "higienização".
Não sei como é hoje, mas à época, essa "higienização" era, na realidade, feita da seguinte forma: eles eram colocados lado a lado, pelados, e um agente, com uma mangueira, "lavava" os presos. Primeiro de frente, depois de costas.
Esse percurso, de pouco mais de 10m, parecia durar uma eternidade, mas, enfim, eu já chegava ao parlatório.
Chegar ao parlatório foi um alívio. Conversei com o rapaz, que me explicou a versão dele, dizendo que foi o outro rapaz que roubou o celular e que ele não sabia de nada.
Falei que a família dele estava preocupada e ao mesmo tempo decepcionada com a situação e que eu faria um pedido de revogação da prisão em breve, mas que teria de ter paciência.
Saí de lá e fui pra casa, pois já era tarde e o presídio distante.
Uma coisa eu te garanto, essa experiência mudou a minha vidaA energia daquele ambiente é indescritível, o cheiro, então, nem se fala.
Cheiro que, inclusive, ficou impregnado no nariz, fazendo com que qualquer outro cheiro parecido, imediatamente, te remeta a esse local, mesmo hoje em dia.
Depois dessa primeira experiência, vieram várias outras, fazendo com que eu tenha me acostumado com todo esse procedimento, ao ponto de não me chocar mais com tudo isso.
Apenas uma coisa não consegui me acostumar e acho que não conseguirei: com a energia emanada.
Finalmente, aproveito para te convidar a acessar o meu blog. Lá tem textos como esse e muito mais!

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